Arroz sempre perfeito

4 Novembro, 2009 por Zailda Coirano

Quando eu era mocinha e fazia café ou arroz para as visitas e saía algo tragável, lembro que as velhotas olhavam com ar de aprovação e diziam:

- Já sabe fazer café (ou arroz), então já pode casar.

Bem, eu não sei fazer arroz direito até hoje e meu café saía de tudo quanto é jeito até que comprei uma cafeteira elétrica. Qualquer idiota que saiba ler e contar sabe usar uma cafeteira elétrica. Você conta o número de medidas e acrescenta o tanto de água correspondente ao número de medidas que usou, não tem como errar. Quando fica pronto começa a fazer barulho, faça sempre o mesmo tanto de café e vá “testando” até chegar à quantidade de açúcar que mais agrade ao seu paladar.

Mas o arroz era um tormento, por sorte minha (ou azar deles) nenhum de meus ex-maridos levou em conta o fato de eu não saber fazer arroz para casar-se comigo e eu desminto até a morte se alguma mexeriqueira disser que foi pelo fato de não cozinhar direito que os casamentos não deram certo. Meu atual marido resiste bravamente há quase três anos. Tudo bem que ele almoça em restaurante (trabalha longe de casa) e não janta, mas talvez esse seja o segredo da durabilidade dos casamentos modernos: o marido não comer o que a mulher cozinha.

Mas tem hora que não tem jeito, tem que alimentar o pobre e no Brasil toda refeição tem que vir acompanhada do sagrado arrozinho branco. E o meu era mais instável que estrela de rock: salgado num dia, papa no outro, torrado no outro, e duro no próximo. Até que minha filha (quem disse que não aprendemos com nossos filhos?) apareceu com a solução para os meus problemas, tcham, tcham, tcham, tcham!! E aí está ela, o mais novo membro de nossa família:

Bendita tecnologia! Uma panela que faz arroz!Agora não preciso me preocupar mais em lembrar que estou fazendo arroz! Funciona como a cafeteira, coloco uma colher de sal,  tempero a gosto, 4 medidas de arroz (lavado), o correspondente a 4 medidas (já vem a medida na panela!) de água, ligo a tomada e esqueço! Quando termina ela desliga sozinha e mantém o arroz aquecido por até 10 horas! E o arroz fica sempre ótimo, nada de arroz queimado, papa, grude, duro, e tantos outros “apelidos” que já botaram no arroz que eu fazia. E o melhor de tudo: não precisa por óleo.

Bendita tecnologia, agora para “poder casar” basta saber apertar um botão, ou ligar a panela na tomada. E depois, só alegria, é só correr pro abraço!

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Tempero caseiro – mas nem tanto

4 Novembro, 2009 por Zailda Coirano

 

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Ter um tempero básico pronto na geladeira facilita a vida da gente.

 

É claro que para dar um sabor especial à comida nada melhor do que um bom tempero caseiro. Descobri depois de muito “ensaio e erro” que o tempero nem precisa ser tão caseiro assim. Como meu filho bem definiu: “minha mãe é feliz fazendo tempero, às vezes chego em casa e não tem nada para comer, mas a geladeira dela está sempre cheia de temperos.”

Como toda cozinheira de meia-tigela, tenho que me esmerar no tempero para realçar o sabor e disfarçar coisas como: comida cozida demais, comida chamuscada, comida cozida de menos, comida esquecida no fogo, etc.

Vamos para uma de minhas especialidades, e como bem disse meu filho, acho que tenho um ladinho de “bruxa” e adoro ficar misturando ervas e preparando minhas “poções”. Sempre tenho pelo menos um vidro grande de tempero na geladeira, para evitar de ter que ficar descascando alho em cima da hora de preparar a refeição.

Receitinha básica de tempero, que você pode personalizar

2 cabeças de alho

1 cebola média

3 ou 4 cebolinhas

2 pezinhos de salsa ou coentro

óleo

Modo de preparar

Descasque o alho e a cebola, pique bem a cebola. Lave bem as cebolinhas, salsa ou coentro. Bata tudo no liquidificador, e vá acrescentando óleo até que tudo esteja bem misturado. Se colocar muito óleo fica pouco consistente, então vá adicionando o óleo aos poucos, apenas o suficiente para que o liquidificador consiga triturar a mistura.

A cebolinha e a salsinha (ou coentro) são só para dar um gostinho, se colocar muito o tempero fica verde, aí não dá para usar no arroz, por exemplo. Se quiser mais gosto desses temperos é melhor adicionar picado ao prato que vai preparar do que fazer um tempero verdão que não dá pra usar em arroz ou feijão, por exemplo.

Guarde em um pote bem tampado, na porta da geladeira perto do congelador. Assim conservado dura até duas semanas sem estragar.

Quando for cozinhar, apenas pingue óleo na panela (lembre-se que já há óleo no tempero). Esse tempero serve para arroz, feijão, carne (tempere pelo menos meia hora antes de cozinhar para “pegar” bem), frango peixe, etc.

Para personalizar, vale adicionar Sazón quando for preparar (eu adiciono 1 envelopinho na panela logo depois de dourar), cominho, louro, curry (na carne fica ótimo) ou qualquer outro tempero. Tenha esse tempero como “base” sempre pronto para facilitar e depois acrescente outros, vá testando para ver qual agrada mais ao seu paladar.

Hoje tem sopa

21 Dezembro, 2008 por Zailda Coirano
Essa é só pra ilustrar, não é a "minha" sopa.
Essa é só pra ilustrar, não é a “minha” sopa.

Tudo resolvido, teríamos sopa para o jantar. Mas não uma sopa qualquer, sopa de envelopinho, aquelas que vêm em pó, super fáceis de fazer. Meu filho vai me ajudar porque não consigo ler direito as letrinhas miúdas das instruções à noite.

- Coloque uma colher de sopa de margarina… Esses caras só podem estar de gozação. Se eu tivesse uma colher de sopa, pra que ia precisar desse pacote?

Santa paciência, mas vamos que vamos. Resolvemos misturar dois pacotes de sopas diferentes, um pede um litro de água e outro pede dois. De comum acordo decidimos que 3 litros de água é muita coisa, vamos preservar os recursos naturais do planeta. Decidimos por 2 litros. O problema é que um fica pronto depois de 5 minutos de fervura e o outro, 7. Decidimos cozinhar por 7 minutos.

Assim que despeja o primeiro pacote nos 2 litros consensuais de água meu filho já faz o segundo comentário tipicamente masculino desde o início de nossa arriscada empreitada culinária:

- Nossa, parece vômito!

Ignoro a bobagem e despejo o outro pacote por cima, tentando melhorar o aspecto que – tenho que admitir – não é dos melhores.

- Esse parece mofo. Vamos tirar uma foto, está parecendo võmito com mofo por cima.

Demovo-o da idéia idiota de registrar o evento culinário, já antevendo a gozação de suas visitas nos seus álbuns do orkut. Começo a mexer a tal sopa e ele enfim cai na real. Aponta para a meleca que mexo pacientemente com uma colher de pau (por incrível que pareça eu tenho uma) e pergunta:

- Só vai ter “isso” para a janta?

Faço que sim com a cabeça. A gente sabe que já alcançou a maturidade quando percebe que nem sempre vale a pena discutir até provar que a razão está do nosso lado.

- Se eu soubesse – continua ele – teria comido uma colherada de cada uma, tomado um copo dágua e ido para a cama.

Apesar do “olho gordo” e da torcida contra a sopa ficou comestível, tragável, engolível, sei lá.

Receita de peru com uísque

15 Agosto, 2008 por Zailda Coirano

Ingredientes:

* 01Garrafa de Whisky (do bom, é claro!, pode ser um Black Label).
* 01 Peru de aproximadamente 5 Kg.
* Sal, Pimenta e cheiro verde a gosto.
* 350 ml de azeite extra.
* 500 g de bacon em fatias.
* Nozes moídas.

Modo de Preparar:
* Envolver o peru no bacon e temperá-lo com sal, pimenta, cheiro verde a gosto.
* Massageá-lo com azeite. Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
* Servir-se de uma boa dose (caprichada) de Whisky enquanto aguarda.
* Colocar o peru em uma assadeira grande.
* Servir-se de mais duas doses de Whisky.
* Azustar o terbostato na marca 3 e zebois de unzzz zinte binutos, botar para queimar… digu, assar a galinha, nãoo, não, zun é galinha, é peru.
* Derrubar uma dose de Whisky zepois de beia hora, formar a abertura e controlar a asssadura do pato.
* Tentar zentar na gadeira, servir-se de uooooootra dose zarada de Whiskyssss.
* Cozer, costurar, cozinhar, zzzei la, foda-se o beru.
* Deixaaa o fio da buta no vorno por umas 4 horas.
* Tentar retirar a berda do beru do Vorno.
* Mandar mais uma boa dose de Whisky pra dentro… de voze, é claaaro.
* Tentar novamente tirar o zacana do beru do vorno, porque na primeira deenndadiiiva dããão eeeeeeeuuuu.
* Begar o beru que gaiu no jão, enjugar o filho da puta com o bano de jão e cologa-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois, avinal, você nem gossssssssta buito dessa bosta besbo.

Bronto!

Observazaumm – Num Vumita no Vrango, garaio!

Gelatina para as crianças

6 Julho, 2008 por Zailda Coirano

Gelatina é um achado, fácil de fazer, não faz sujeira nem na hora de fazer nem na hora de comer, rápida e barata. E não tem criança que não goste. Mesmo que não goste de comer, vai gostar de brincar com ela porque além de tudo é bonita e divertida porque balança.

Nem precisa de receita, basta ferver um copo dágua e depois dissolver nele um pacotinho de gelatina de qualquer sabor. Prove pra ver se está sem doce pra seu gosto, se estiver adicione mais uma colherada – ou duas. Depois é só juntar a sua imaginação com seus (parcos) recursos culinários e botar mãos à obra.

  • faça vários sabores diferentes, ponha na geladeira até ficar firme, depois tire das formas às colheradas (bem irregular mesmo), jogue tudo numa tigela e jogue uma lata de creme de leite (adicione açúcar) ou leite condensado. Dê uma misturada e ponha de volta na geladeira.
  • bata a gelatina com uma lata de creme de leite antes de endurecer. Ponha na geladeira em potinhos individuais. Diga que é mousse. E é.
  • faça gelatina de limão e ponha na geladeira pra gelar em taças inclinadas para um lado. Depois faça gelatina de outro sabor (e cor), endireite a taça e jogue por cima. Ponha pra endurecer de novo.
  • Sirva com frutas picadas, chantili, creme de leite, leite condensado, doce de leite, etc… por cima.

Com alguns potinhos de gelatina à mão você pode variar a sobremesa da garotada, que além de gostosa, ficará também colorida e divertida.

(zailda coirano)

O segredo do arroz

29 Junho, 2008 por Zailda Coirano

Cansei de tentar fazer um arroz decente, mas só conseguia fazer arroz “escola de samba”: aquele que só sai em bloco. Por mais que eu tentasse usar táticas, medidas e marcas diferentes meu arroz ficava cada vez mais empapado e grudento.

Informam as especialistas que fazer um bom arroz tem lá seus segredos, e por ser um prato prosaico não tem nada de simples para preparar, muito pelo contrário, quanto mais prosaico o prato mais complicado para prepará-lo de forma a que fique no mínimo digerível.

Algumas especialistas apontam para o fato de que você deve lavar bem o arroz e depois escorrê-lo para que esteja já bem seco antes de colocá-lo na panela para refogar. Acho isso uma bobagem, pois minha amiga Leila que é uma senhora cozinheira enfia o arroz debaixo da torneira e já o joga na panela e o dela sempre sai maravilhoso.

Outras afirmam que se deve usar uma medida-padrão, cozinhando-o sempre na mesma panela para não modificar as medidas por engano. Use sempre a mesma marca e à medida que o arroz for ficando empapado vá reduzindo o tanto de água que coloca nele até atingir o mínimo necessário para que cozinhe o suficiente para comer mas não tanto que vire uma pasta compacta.

Como já cuidei de plantas e passei anos para conseguir que minhas violetas florissem, tenho a teoria que arroz é como violeta: quanto mais você jogar água, mexer de um lado pra outro, mais rápido irá estragar. Como as violetas, jogue o arroz na panela e só se preocupe com ele de novo quando estiver seco, e seja lá o que Deus quiser. Quanto mais manobras você fizer com ele, pior ficará, portanto faça como sabe, vá reduzindo a água dia por dia até conseguir uma quantidade suficiente apenas para cozinhar e cruze os dedos.

Ah, e tenha sempre um pacote de macarrão de reserva para o caso de seu arroz insistir em virar papa e não querer sair da panela de jeito nenhum.

(zailda coirano)

Introdução aos mistérios da culinária

23 Junho, 2008 por Zailda Coirano

Entro na minúscula cozinha disposta a aventurar-me pelos intrincados e obscuros caminhos da culinária. O estômago encosta nas costelas, rangendo de fome. Nada pronto na geladeira. Abro o armário e escolho uma dessas repugnantes sopas instantâneas, tipo Minojo. No pacote dizem que é rápido e fácil de preparar. Leio atentamente as instruções do pacote, releio e vou executando. Dois copos de água fria numa panela, depois despejo o conteúdo do envelope na água da panela. Faço exatamente o que reza a bula da droga instantânea, mas dentro da panela cai junto com o macarrão em placa um pacotinho prateado, que lembro então, contém o tempero pra sopa. A água está quase fervendo, o saquinho encostado na panela começa a derreter. Pego um garfo e tento pescá-lo de dentro da panela. O vapor da água borbulhante me queima o dedo.

- Merda! – praguejo.

Depois de alguns minutos de arriscadas manobras com o garfo, evitando o vapor quente, finalmente resgato o envelope e num golpe atiro-o pra cima… ele cai diretamente no peito do meu pé.

- Bosta! – me irrito.

Com um chute jogo-o longe, cai em cima da pia e, derretendo, começa a espalhar seu conteúdo nojento na pia limpinha. Com um pano de prato, cuidadosamente, evitando novos acidentes, pego-o e, antes que esboce alguma reação contrária, jogo-o dentro do baldinho de lixo da pia, tampando-o em seguida… nunca se sabe!

Enquanto estou nessas manobras arriscadas, a água da panela vai secando, então quando me viro, satisfeita por ter me livrado do perigoso pacotinho, dou com uma fumaça branca que sobe da panela. Rápidamente encho um copo dágua e jogo na panela, que emite um ruído forte e dela sobe duas vezes mais fumaça que antes. Assustada, tiro a panela do fogo, provocando alguns respingos de água no braço. Minha reação instantânea é jogar a panela com minojo queimado e água fervente na pia.

Depois contemplo, consternada, a bagunça na pia e na cozinha, que mais parece o cenário de uma guerra que propriamente uma cozinha. Panos de prato, garfos, macarrão queimado.

Infelizmente, nada comestí­vel.

- Desisto, que merda! – vocifero.

Retiro-me da cozinha derrotada, faminta, disposta a comprar um livro de culinária no dia seguinte.

(Escrito por Zailda Mendes)

A boa e velha canjica (do meu jeito)

6 Junho, 2008 por Zailda Coirano

Eu não sou boa cozinheira e “apanho” até pra fazer arroz. Pra dar um jeito nisso comprei uns livros de receitas mas ele só fizeram confirmar a impressão que eu já tinha desde anteriores (frustradas) tentativas de aperfeiçoar-me na arte de transformar um filé em algo que se possa digerir e não cause repugnância ou risos: só existem receitas intrincadas e complicadas, com termos que eu, leiga que sou, desconheço totalmente.
Não sei diferenciar um pé de alface de um pé de chicória (vai lá saber o que é isso…) e acho que o que falta nesses livros é o básico do básico, ou seja: como fazer coisas simples pra não morrer de fome e pra variar um pouco.
Como não sou egoísta vou transcrever aqui aquilo que comigo der certo, mas vejam, nada de muito “rebuscado”, não sou fissurada no assunto, cozinho por um motivo mais ou menos óbvio: tenho que comer.
Essa canjica ficou ótima, então vou partilhar a experiência.

Ingredientes:

  • 1 pacotinho de canjica (você poderá encontrar facilmente – ou não, depende do supermercado – naquela seção onde há pipoca para microondas)
  • 2 copos de leite de caixinha (também chamado longa-vida, a marca não importa. Usei o integral, se você está de dieta, tente o semi-desnatado se for uma dieta rápida ou o desnatado se é uma dieta de vida-ou-morte
  • 1 lata de leite condensado – se estiver de dieta, pule esse
  • 1 pacote de coco ralado (sim, ele já vem ralado, aquela parte branca, que fica dentro daquela casca marrom que a gente sempre tem que pedir pra alguém quebrar)
  • 1 xícara de chá de açúcar (não é pra fazer “chá de açúcar”, você pega o açúcar e enche uma xícara grande daquelas de tomar chá)
  • 6 cravos (são uns pauzinhos com uma “florzinha” seca na ponta que servem pra dar um gosto especial à comida, geralmente doce, mas se quiser tentar na salgada vá por sua conta, eu ainda não tentei…
  • muita paciência (o ingrediente mais importante, porque esse prato demora um pouco, se bem que o resultado compensa, se você fizer tudo direitinho…)

Como (tentar) fazer

Se você vai fazer apenas pra você e seu marido e – digamos – um filho que não seja muito comilão, bote metade do pacotinho de canjica de molho na noite anterior ao dia que vai fazer o doce, se for fazer para um batalhão use o pacotinho todo.

No outro dia escorra a água onde a canjica esteve de molho e coloque-a numa panela de pressão com 1 litro de água (para meio pacotinho) ou 2 litros (se botou o pacote todo, sua gulosa!) junto com os 6 cravos e assim que pegar pressão (quando a panela começa a fazer aquele “barulhinho” na hora que a gente até já esqueceu que estava fazendo um doce e está sossegada vendo TV) corra de volta pra cozinha e abaixe o fogo no mínimo e deixe cozinhar por uma hora.

Depois de uma hora naquele “tchi, tchi”, deslique o fogo e retire a pressão antes de abrir a panela. Eu coloco um garfo no pino (aquele que há na parte de cima da tampa da panela e fica girando) de forma que a pressão vai saindo devagarinho e não faz muita sujeira na cozinha (dependendo do que a gente está cozinhando). Espere esfriar por meia hora e acrescente o leite, o leite condensado, o açúcar e o coco ralado, mexa bem com uma colher de pau.

Pode ser servido quente, frio, gelado, no café da manhã, lanche da tarde ou sobremesa. Com certeza todos vão repetir, elogiar e nem vão desconfiar o trabalhão que deu…

(zailda coirano)

Um tsunami na cozinha

4 Junho, 2008 por Zailda Coirano

Faço parte de um seleto grupo de mulheres que nasceram completamente desapetrechadas daquele talento (que dizem ser natural das mulheres) para me virar bem na cozinha. Decididamente a cozinha não é minha área e nem naquele cômodo da casa que inclui fogão, mesa e geladeira sinto-me muito à vontade, principalmente nas horas que antecedem as sagradas refeições diárias, as quais os outros membros da família esperam que eu providencie de forma razoavelmente rápida e cujo resultado seja também medianamente consumível.

Por “consumível” entenda-se: que não tenha aparência repugnante, que não seja nem muito duro nem grudento, que não esteja salgado nem doce em excesso e que seus ingredientes estejam dosados de forma equilibrada de maneira a não envenenar ninguém ou provocar crises de diarréia nos consumidores em potencial.

Há porém duas vantagens em cozinhar da forma que eu cozinho: os outros membros da família nunca terão problemas de obesidade e meus filhos – acostumados desde cedo a se sujeitarem à minha culinária toda particular – aprenderam a comer de tudo (literalmente).

Minha futura nora não terá problemas nessa parte porque tenho certeza que meu filho jamais lhe dirá coisas como “que saudade da comida de minha mãe” ou “minha mãe é que sabia como assar um peixe”. Qualquer coisa que ela lhe apresente será prontamente devorada e com certeza ele a cobrirá de elogios – todos sinceros. E mesmo que ela faça parte da mesma casta que eu, ou seja, que também provoque perdas e danos na cozinha, ele certamente saberá compreender e se conformará com sua sorte.

Felizmente não estou só, sei que tenho muitas companheiras por esse mundo afora que também lamentam sua falta de jeito com as panelas e formas, mas eu já estou conformada. Descobri que minha “arte” culinária é mais uma questão matemática que qualquer outra coisa. Por meio de uma fórmula que eu desconheço as coisas dão 10% das vezes muito certo, 20% sofrível, 30% mastigável e o restante dos 100% um desastre total.

Convivo com esses números (eu e minha família) há anos e sei que não há muito o que fazer para mudá-los. Na cozinha estou sempre meio perdida, as panelas e tampas se atiram no chão quando vou pegá-las, os panos de prato criam vida e se encostam no fogo, tudo na tentativa (na maioria das vezes com êxito) de desviar minha atenção do que estou fazendo e provocar um daqueles desastres que serão comentados por algumas gerações em seus momentos de lazer.

Minha falta de talento na cozinha já virou folclore e nem fico brava quando em alguma festinha familiar alguém desencava lá do fundo do baú “lembra aquela vez que…” e conta algum fato verídico que se passou na cozinha de minha casa e cuja personagem central fui eu mesma. Dá até um certo status conhecer bem essas histórias porque as visitas costumam adorá-las, acho que principalmente pelo fato de não terem que participar delas como coadjuvantes.

Apesar de ser um terror nas artes culinárias sempre tive muitos convidados para comer em casa. Aliás, nem os chamo de “convidados”, prefiro chamar de “cobaias” e acho que mais se divertiram do que comeram, imagino que a maioria aparece mesmo pela diversão, e preferem ficar por perto da cozinha para serem os primeiros a presenciar “a mais nova da Zailda’. Ou para socorrerem se alguma coisa der profundamente errado.

Se para você também uma simples salada pode se transformar numa batalha de vida ou morte, esteja à vontade porque acho que teremos muito que conversar.

(zailda coirano)

Pra elas é fácil

31 Maio, 2008 por Zailda Coirano

Se você é tão imprestável na cozinha quanto eu, com certeza já deve ter tentado seguir uma receita básica. Se realmente é tão ignorante quanto eu, percebeu que esses livros não foram escritos pensando em nós, pobres criaturas ignorantes e sem préstimo algum quando se trata de culinária. Se o seu rendimento na arte da culinária está entre “péssimo” e “sofrível”, se você não é capaz de fazer um arroz decente sem empapar nem queimar, se um simples chá sai uma porcaria e um Miojo acaba virando “minojo” nas suas santas mãozinhas, alegre-se! Você não está sozinha! Aqui é o seu lugar!